segunda-feira, junho 27, 2005


- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És muito linda...
- Sou uma raposa - respondeu a raposa.
- Anda brincar comigo - propôs o principezinho. - Estou tão triste...
- Não posso brincar contigo -respondeu a raposa. - Não tenho intimidade contigo.
- Ah!, desculpa - disse o principezinho.
Mas, depois de reflectir, continuou:
- Que significa «ter intimidade»?
- É uma coisa demasiado esquecida - explicou a raposa. - Significa «ter relações de proximidade».
- Ter relações de proximidade?
- Sim - confirmou a raposa. - Para mim, tu não passas de um rapazito semelhante a cem mil outros rapazitos. Não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Para ti, eu sou uma raposa semelhante a cem mil raposas. Mas se tiveres intimidade comigo, precisaremos um do outro. Tu serás, para mim, único no mundo. E eu serei, para ti, única no mundo...

Saint-Exupéry, in O Principezinho
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sexta-feira, junho 03, 2005

Me deixe sim
Mas só se for
Pra ir ali
E pra voltar.

Me deixe sim
Meu grão de amor
Mas nunca deixe
De me amar

Agora as noites são tão longas
No escuro eu penso em te encontrar
Me deixe só
Até a hora de voltar

Me esqueça sim
Pra não sofrer
Pra não chorar
Pra não sentir

Me esqueça sim
Que eu quero ver
Você tentar
Sem conseguir

A cama agora está tão fria
Ainda sinto o seu calor
Me esqueça sim
Mas nunca esqueça o meu amor

É só você que vem
No meu cantar meu bem
É só pensar que vem
Lá ra ra ra

Me cobre mil telefonemas
Depois me cubra de paixão
Me pegue bem
Misture alma e coração

Marisa Monte
Grão de Amor

terça-feira, maio 31, 2005


E o destino passa por mim
Como uma pluma caprichosa passa pelos olhos dum gato
Como o avião passa no céu do camponês
Como a cidade passa pelo convalescente que sai pela primeira vez
Nos olhos da mulher que não perdi nem ganhei...
Nos olhos que durante um segundo me compreenderam
E amaram
Na sua ternura quase insuportável
O destino passa...
No amigo que lentamente é puxado para o outro lado da razão
E um dia mergulha na sombra que trazia em si por resolver
O destino cumpre-se e passa
Na praia nocturna que as ondas visitam e deixam
Como as imagens que sem cessar me assaltam e abandonam
Na espuma que esmago contra a areia muito fria
Na mulher que me acompanha e comigo se perde na noite
Nos soluços de luz verde que um farol nos envia
O destino detém-se e passa
Na inesperada hora de felicidade vivida um pouco a medo
Como os amantes quando percorrem as ruas desertas dum jardim
Um pouco a medo
Como a breve noite de amor em que um homem se encontra e refugia
O destino demora-se e passa
Estou onde não devia estar
Mas basta
basta
basta...


Alexandre O'Neill
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segunda-feira, maio 23, 2005


Quando é que eu aprendo que não se deve fazer planos?
Se ao menos conseguisse ir vivendo o dia a dia, aproveitando os nossos momentos únicos...
Evitava dissabores.
E não estaria a pensar que fui eu quem deitou tudo a perder. Posted by Hello

quarta-feira, maio 18, 2005


Este é o tempo que passa e não apaga nunca esse toque suave dos olhos pousados no meu rosto, no meu corpo, na minha pele. Sinto as palavras que proferes, que murmuras e que me enchem de fantasia e brilham como sol. Ou como lua.
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quinta-feira, abril 28, 2005


Momentos são iguais àqueles
Em que eu te amei,
Palavras são iguais àquelas
Que eu te dediquei.

Eu escrevi na fria areia
Um nome para amar,
O mar chegou, tudo apagou,
Palavras leva o mar.

Teu coração, praia distante
Em meu perdido olhar,
Teu coração, mais inconstante
Que a incerteza do mar.

Meu castelo de carinhos
Eu nem pude terminar,
Momentos meus, que foram teus
Agora é recordar.
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terça-feira, abril 26, 2005


Quando estou longe de ti começo a sentir-me insegura, cheia de dúvidas. Receio que a paixão acabe, receio que te apercebas que não é isto que queres. Sinto-me vazia, sinto-me perdida. Por isso, quando voltamos a encontrar-nos fico distante, até perceber que ainda me amas. São defesas. Apenas isso.  Posted by Hello

quinta-feira, abril 14, 2005


«Partilha 15 minutos comigo e depois diz-me adeus ou obrigado, mas esses minutos foram os mais intensos de que disfrutaste».
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sexta-feira, abril 08, 2005


Sempre que sei que vou encontrar-te fico com receio do que possas dizer-me ou dos gestos que vais usar para me iludir. Pegas-me na mão e estremeço. Pausa e silêncio. Acabo por retirar a mão num gesto tosco de afastar uma madeixa do cabelo que nem sequer estava a tapar os olhos.
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quarta-feira, abril 06, 2005


Durante muito tempo estive dividida entre o desejo e o medo. Agora que assumi os medos posso desejar. Não significa que deixei de sentir um friozinho, mas é diferente porque posso esboçar sorrisos livremente... Posted by Hello

terça-feira, abril 05, 2005


Recuso-me a bater na mesma tecla. Tenho medo que o piano avarie. Posted by Hello

quarta-feira, março 30, 2005


As águas estagnadas impelem-me sempre para a sua perturbação Posted by Hello

quarta-feira, março 23, 2005

Como saber ao certo o que quer? Ora está bem, ora tudo parece desmoronar. É isso que sente agora que enfrenta o pior dos seus receios: a solidão. Adormece momentaneamente mas acorda sobressaltado com os sonhos que agitam a noite. Não sabe o que fazer. Conta os minutos como quem conta grãos de arroz, e parecem não terminar. Queria voltar ao momento em que decidiu deixar o tempo passar, mas também a hora passou. Nada pode fazer senão deixar-se embalar pelos sons da noite, pelo medo da escuridao, pela tenebrosa solidão. É como uma brisa fresca que lhe sopra no pescoço. Pensa que não pode olhar de frente essa brisa. Puro receio. Os minutos continuam a passar. Um dia, ou uma noite, a brisa será mais forte, ou mais fria. Por quanto tempo se esconderá na ilusão que o tempo tudo apaga? Se ao menos as lágrimas não lhe toldassem a visão, poderia vislumbrar as estrelas.
Para onde ir se amanhece com amargura na alma?

segunda-feira, março 07, 2005


Caleidoscópio Posted by Hello
Espreito o caleidoscópio e visualizo essa mistura de cores. É como atravessar o caminho entre os mundos. Alguma surpresa e muito espanto com o que encontro no final desse rodopio. Pequenas moléculas que ondulam ao sabor do vento. Visualmente é tão apelativo que me perco. Deixo-me levar inteiramente para esse mundo de sonhos, de imaginários visuais.

terça-feira, março 01, 2005

Por vezes deixo apenas o frio da noite tomar conta de mim. Embalo-me nos seus pensamentos enquanto procuro aquecer a alma à luz de milhares de estrelas. Aqui encontro paz, encontro um caminho a seguir. Sinto-me perdida tantas vezes que não sei onde estou. Penso que é Lisboa, mas o frio que sinto leva-me para mais longe.
Dou por mim a abraçar aqueles que amo. Ou a passar apenas um dedo no seu rosto. A limpar lágrimas de saudade... ou solidão. São pequenos gestos acompanhados de uma melodia suave quase transparente porque se confunde com desejos, paixões e sonhos. Sim, são apenas sonhos. Mas são tão reais que acordo como se tivesse estado lá longe entre montanhas cobertas de neve e vento gelado no rosto.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

and so it is
just like you said it would be
life goes easy on me
most of the time
and so it is
the shorter story
no love no glory
no hero in her skies
I can't take my eyes off of you

and so it is
just like you said it should be
we'll both forget the breeze
most of the time
and so it is
the colder water
the blower's daughter
the pupil in denial
I can't take my eyes off of you

did I say that I loathe you?
did I say that I want to leave it all behind?

I can't take my mind off of you
my mind
'til I find somebody new


Cada vez que oiço o "Blower's Daughter" do Damien Rice não sei se chore se ria...
Toda esta melancolia na sua voz me transporta para um lugar de onde não me apetece sair. Ali permaneço até que alguém bata à porta, e me faça regressar.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Que te aconteceu soldado? Não voltaste a marchar neste campo de batalha. Acaso foste ferido? Sei que é noite, mas o maqueiro está vigilante. Vê como observa os feridos. Vê como te observa.
«Agarra-te, Daniel! Acho que vou conseguir aterrar».
O avião balança no ar, está quase, quase a chegar ao chão.
«Ohh!»
O avião de riscas vermelhas ganhou vida própria, se é para ir para a esquerda, começa a dar voltas sobre si mesmo, se é para aterrar, vira à direita.. Simplesmente, não é possível comandá-lo.
A luz vermelha não pára de piscar. Algo está errado.
«Não, Daniel, não posso ir à janela agora. Não vês que o avião está descontrolado!»
«Mas as asas...»
«Já disse que não posso agora!»
«Mas é um pássaro!»
«Que disparate é esse?»
«O avião é um pássaro! Não vês as asas? E o bico?!»
«Endoideceste foi? Deixa-te de brincadeiras e ajuda-me a aterrar antes que a Susana acorde.»
Mas Martinho não vai conseguir parar a tempo. O avião de grandes asas acaba agora mesmo de sobrevoar a cabeça da Susana. Se ao menos fizesse menos barulho. Vai acordá-la com certeza!
Susana levanta a cabeça da almofada.
«Bom dia, Susana!»
«Olá Martinho... Daniel».
Bonita e elegante, é uma mulher de 32 anos, com grandes olhos amendoados. Por sinal, estão ainda maiores neste momento. Hesita. O que é aquilo na mão de Martinho?
«Que fazem os dois?», questiona enquanto se levanta do sofá. Desde sexta feira que dorme na sala porque o quarto cheira a tinta.
«Eu bem te disse que ela não ia gostar», diz Daniel, e virando-se para Susana explica. «Eu quis libertar os pássaros mas o Martinho insiste que temos de ir de avião, porque só os podemos libertar no cimo da montanha. E eu expliquei-lhe que os aviões não voam tão alto quanto os pássaros. E quando começam a subir muito alto ficam descontrolados. E foi o que aconteceu. O avião ganhou asas e quis voar como um pássaro livre e já não consegui libertar os meus pássaros porque o Martinho deixou o avião sobrevoar a tua cabeça e foi aí que ele perdeu o controlo.»
Martinho sorri mas nada diz. Afinal, é apenas um avião de papel na sua mão.


Agora experimentem escrever esta história num autocarro enquanto as pessoas lêem curiosas. Simplesmente maravilhoso! E tudo isso culpa desse genial filme À Procura da Terra do Nunca que abriu a porta à fantasia.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Carta

Quando as palavras surgem é melhor deixá-las sair em turbilhão. Sei que não aceitas tudo o que digo, mas nem sempre consigo travar o pensamento e adivinhas sempre o que penso. Os anos passam mas continuamos na mesma, sempre à espera que o outro caia em falso. Não devia ser assim, mas insistimos neste jogo. Nunca sei o que esperar de ti. E quem sabe se o contrário não acontece também...

Certezas nunca as tive, apenas desejos. E continuo a desejar-te muito. Sinto falta da tua presença, do teu toque, mas o último olhar que trocámos continua cravado no tempo. Pelo menos no meu tempo. Porque não deixámos as palavras surgirem nessa altura? Sei que muitas vezes o melhor é deixar o tempo passar e deixá-lo cravar em nós a sua lança da mudança, para conseguirmos voltar a proferir palavras ousadas ou quem sabe olhar-nos novamente.

segunda-feira, novembro 22, 2004

Al otro lado del río

Quantas vezes remei para a outra margem porque via uma luz que me puxava até ela? Mas sempre que lá chego, a luz volta à margem de onde parti.
Sou como barca errante entre margens perdidas. E remo, remo. Remo sempre.